Por que devemos ter jovens em missões?
Porque se adaptam melhor em situações novas, aprendem melhor novas línguas, são mais entusiasmados, têm melhor saúde, aceitam desafios maiores, crêem que Deus vai fazer coisas novas e maravilhosas com mais facilidade que os mais velhos, são mais flexíveis em novas situações, agüentam melhor situações difíceis e assim em diante.
Em seu livro "Além das Possibilidades" o senhor diz que a vida com Jesus é ao mesmo tempo difícil, interessante e maravilhosa. Como é isso?
É difícil por causa da nossa natureza, porque somos de uma raça caída que temos dentro de nós aquilo que nos puxa para aquele lado e temos sempre que vigiar. É também difícil pois vivemos em um mundo que jaz no malígno. Jesus chamou satanás de príncipe deste mundo várias vezes e nós somos como invasores. Aquele programa de TV "Arquivo X" deveria ser sobre os crentes, pois nós somos os verdadeiros extra-terrestres aqui. Tudo que tentarmos fazer para Deus podemos esperar que haverá uma resistência sobrenatural contra nós.
É interessante por que tudo isso dá um certo fascínio. Somos de um Reino que não é deste mundo. Nossa tarefa é levar este reino para todos os cantos do território do inimigo. Somos minoria em recurssos e em números. É um desafio daquele tamanho. A verdade versus a mentira, o espírito de Deus versus os espíritos malignos, as palavras de Deus contra as diversas palavras de religiões diferentes. Tudo isso é fascinante demais.
É maravilhoso porque nós temos uma esperança eterna. Para começar não podemos perder. Estava outro dia com um homem que a irmã acaba de morrer de câncer e ela era crente. No hospital, todos da família estavam chorando e ela antes de falecer virou para eles e falou com uma palavra de cada vez: "por que vocês estão tão tristes?". Por que não tinha nada de ruim. Ou ela iria morrer e ir para a Glória ou ela seria curada e seria uma vitória tremenda daquelas que você não esquece jamais. Para nós é assim também. O único perigo para o crente não é o de ser morto, mas ser vencido pelo mal. Nós temos esta esperança. Temos a presença de Deus em nossas vidas. Temos intimidade com o grande rei de todo o universo. Perfeito em todos os seus caminhos, em caráter e em poder. Eterno, maravilhoso. Deus que habita em luz inacessível, mas que nos dá acesso pelo sangue de Jesus. Ele é nosso e ter intimidade com ele é maravilhoso demais.
Como você vê a Jocum hoje comparando com o seu início no ministério há 27 anos?
Tem muitas diferenças. Uma são os números. Naquela época éramos algumas centenas de pessoas e hoje somos 12 mil. Outra é a origem. Naquela época quase todos os jocumeiros eram americanos ou europeus. Agora em torno de 50% dos jocumeiros vêm de países que tradicionalmente não mandam missionários, como o Brasil, Coréia do Sul, países africanos, asiáticos. A cara do jocumeiro típico, se é que tem, mudou. Temos gente de 138 países diferentes, pela última vez que contamos. Os campos de trabalho também mudaram. Mudou também o nível de sofisticação nos ministérios. Antigamente era mais um evangelismo pessoal e agora temos navios e universidades. A organização também mudou. Éramos uma organização como qualquer outra com uma escala clara de autoridade e hoje muitos ministérios convivem lado a lado sem autoridade de uma parte sobre a outra. como uma rede mais diversa, proque queremos dar sempre espaço para iniciativas e coisas novas. O campo de trabalho também mudou. Começou onde havia crentes e recursos para missões, como os Estados Unidos, Europa e Nova Zelândia. Agora temos uma porcentagem muito maior na janela 10/40 e entre os inalcançados.
E no Brasil, como a Jocum se desenvolveu?
Quando chegamos no Brasil praticamente não havia missionários. O que se chamava de missionário naquela época era o cara que ia de cidade em cidade fazendo campanha de cura divina, mas era brasileiro ministrando a brasileiro. Quando começamos a dizer que queriamos mobilizar jovens brasileiros para participar de evangelismo mundial a primeira reação, naturalmente, foi não de repúdio, mas de incredulidade, porque não tinha dinheiro, brasileiro não dava pra isso, as igrejas não iam apoiar e tal. Mas perseveramos naquilo que achávamos que Deus tivesse falado conosco. Ele honrou, o crescimento foi grande e agora praticamente um décimo da Jocum internacional é de brasileiros. É a segunda maior representação nacional da Jocum. Só os americanos são em maior número.
O Brasil envia mais missionários do que recebe?
Na Jocum nós temos provavelmente em torno e 300 brasileiros servindo fora do país e os estrangeiros aqui não chegam a 50.
Quais são os lugares mais difíceis para pregar o evangelho?
A janela 10/40. O norte da África, Oriente Médio, Irã, Iraque, Afeganistão, Tibet. O Nepal está se abrindo. A igreja lá está crescendo. A China é difícil, mas dá para fazer coisas. Sudão e Somália são lugares tremendamente perigosos. Nós temos experiências de obreiros terem que fugir do Egito sob ameaça de morte pelos radicais.
Que lugares do mundo te animam pela reação dos incrédulos?
Eu me lembro ainda de quando recebi um e-mail, há oito anos, dizendo que havia um único crente mongol e agora há várias igrejas no país. A Albânia é outra história. Era um país tão restrito que o governo chegou a proclamar que a nação era a primeira a conseguir acabar com todos os vestígios de religião. Lá você poderia ser morto se fosse pego com um ovo de páscoa decorado e agora temos igrejas por toda a Albânia, crescendo e se multiplicando. E temos missionários brasileiros lá também, implantando igrejas. Outro lugar que me anima bastante é Nepal onde temos mais de 100 mil crentes.
E a China?
É bem possível que na China tenham mais crentes que em qualquer lugar do mundo. A porcentagem em relação à população total ainda é baixa, mas está se multiplicando, Ninguém sabe ao certo, mas há algumas dezenas de milhões de crentes por lá
Que tipo de persseguição os crentes sofrem no campo missionário?
Uma equipe nossa na Índia estava pregando e tudo estava indo muito bem. Compramos uma casa lá para fazer treinamento e um grupo de católicos radicais (engraçado ser persseguido na Índia por católicos) foi lá e destruiu a casa. Meteram cinco dos rapazes no hospital de tanto apanhar e tentaram colocar fogo, mas o fogo não pegava. A equipe perseverou e mais de dezoito igrejas nasceram lá nos meses seguintes. Em outra parte da Índia um homem australiano, que já havia dado 34 anos de sua vida trabalhando com leprosos, estava na cidade com os dois filhos, um de dez anos e um de oito, quando um grupo de hindus radicais jogou querosene neles e tocou fogo. Os três morreram.
Aqui no norte do Brasil em tentativas de redimir tribos perdidas já tivemos casos de nossa equipe ser pega por equipes da Funai, apanhar, ficar amarrada por três dias no meio da selva e ser humilhada.
Como é a estratégia de evangelismo da Jocum?
A gente faz um evangelismo agressivo e poderoso pelo mundo todo. No Brasil estão se convertendo de 80 a 100 mil pessoas por ano só através desta base. Ano passado em Fortalelza, só no mês de agosto, foram 50 mil decisões. A ETED nossa aqui colocou no último ano oito mil pessoas novas dentro de igrejas.
Em Curitiba tivemos uma escola de samba no último carnaval que ficou entre as primeiras. A padroeira da cidade é chamada de Nossa Senhora da Luz e a escola entrou na passarela assim: "Curitiba, Jesus é a sua Luz!". Fez uma revolução lá. Nada de sensualidade ou estas coisas associadas ao carnaval, mas entrando para proclamar. Nós queremos sempre deixar espaço para essa riqueza de coisas novas, diferentes e criativas. Eu como presidente internacional da Jocum não crio um plano que todo mundo tem que seguir. Nós geramos condições para cada um achar a melhor maneira de fazer o seu pedacinho.
Missões é um campo para jovens do mundo inteiro. O jovem brasileiro tem que levantar e falar "vamos sacudir esse mundo". O Brasil vai ser um gigante em missõs mundiais.
Rodrigo Bressane é jornalista e editor de aleluia.com.br
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